
quando a presença se dissolve
esse cartaz nasceu do silêncio.
ou melhor — do que o silêncio esconde.
quando topei o desafio de criar uma peça pro 39º Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira, o briefing pedia um cartaz com força visual e função social.
não só uma imagem bonita, mas uma mensagem que cutuca, provoca e permanece.
e foi aí que comecei a pensar no abandono.
não o abandono dramático de novela, mas aquele que acontece em silêncio.
nas casas. nas escolas. nas ruas.
quando a presença se dissolve aos poucos e ninguém percebe — até virar ausência completa.
a composição traz figuras humanas de mãos dadas, estilo bonequinhos de papel.
mas uma delas começa a desaparecer.
o corpo ainda tá ali… meio borrado, meio esquecido.
ao fundo, a palavra “ABANDONO” se repete em vermelho, como um eco que ninguém quer ouvir.
a frase central amarra tudo:
“quando a presença se dissolve, o abandono fala mais alto.”
a palavra “CASA” aparece com contorno vermelho, simbolizando o que deveria proteger… mas às vezes, falha.
não imprimi esse cartaz — ele vive digitalmente por enquanto.
mas a proposta toda foi pensada com base no formato físico padrão do concurso (46x64cm), respeitando as exigências de cores e legibilidade.
no topo, deixei o “disque cidadania — 136”, porque design também pode ser ponte entre denúncia e cuidado.
mais do que um exercício gráfico, esse cartaz foi um desabafo visual.
e talvez, um lembrete:
ninguém some sozinho.